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Cinema

xXx – Reativado: Ação por ação, simples assim.

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Hollywood sempre usou astros do esporte em seus filmes para atrair o grande público. Em “xXx – Reativado” essa tática é bastante utilizada. Não há astros de apenas um esporte, como em Mercenários 3 (2014), que conta com a Ronda Rousey e o Randy Couture, atletas do MMA, aqui temos três esportes representados.
Em 2002 a série de filmes “Triplo X” teve seu início tendo como protagonista Vin Diesel, consolidando o ator como um dos principais do gênero ação. Em 2005 foi a vez de Ice Cube protagonizar a saga, já que Vin Diesel não se interessou pelo papel. Agora, mais uma vez com Vin Diesel, a franquia volta com tudo, apostando profundamente na ação sem limites.
O líder da franquia “Velozes e Furiosos” aqui interpreta Xander Cage, um agente que desiste da aposentadoria após um artefato muito potente chamado “Caixa de Pandora” cair nas mãos de terroristas. Diferente do comum, não se trata de um homem só contra todos os malvados, temos nesse filme a formação de uma equipe, muito parecido com o que feito em Velozes e Furiosos. Uma sniper (Ruby Rose), um malandro capaz de se infiltrar em vários locais (Kris Wu) e um maluco que topa tudo (Rory McCann) irão enfrentar potentes antagonistas (Donnie Yen, Michael Bisping, Tony Jaa e Deepika Padukone).

(L-R) Kris Wu as Nicks, Ruby Rose as Adele Yusef, Rory McCann as Tennyson, and Vin Diesel as Xander Cage in xXx: RETURN OF XANDER CAGE by Paramount Pictures and Revolution Studios

Kris Wu, Ruby Rose, Rory McCann e Vin Diesel.

A primeira cena do filme conta com a participação da estrela da Seleção Brasileira e do Barcelona da Espanha, Neymar Jr.. O craque do futebol contracena com Samuel L. Jackson, e juntos fazem uma cena bastante constrangedora em termos narrativos e de interpretação, não por culpa do nosso menino, mas sim do roteiro, que montou uma cena patética para introduzir a nossa estrela. Menos mal que a cena em questão tem a sua importância ao longo da narrativa.
A ação do filme é insana, sem dimensões, com muitos takes ilógicos, surrealistas e usando um CGI muito plastificado. O filme mescla perseguições, lutas corporais e alguns tiroteios. Nas perseguições há muitos elementos esportivos, o que de certa forma pode agradar o público que não se importa com a verossimilhança da ação.
Como citado no início, são três atletas/atores no filme, Michael Bisping (Lutador do UFC), que faz um dos antagonistas. Tony Gonzalez (Ex-atleta do Futebol Americano, ele é muito famoso nos Estados Unidos), um dos soldados do governo americano e por óbvio, Neymar Jr. O interessante aqui é que nenhum dos três é encaixado no filme apenas por serem atletas, eles fazem parte da narrativa, a exceção do Neymar, eles fazem parte da trama e tem seus momentos dentro do roteiro.
O roteiro escrito por F.Scott Frazier é fraco, muitas frases feitas, clichês usados a todo o momento e diálogos bobos demais, o que tornou o filme demasiadamente previsível. Outra falha terrível no roteiro é o seu humor, praticamente todas as piadas feitas pelo Vin Diesel são constrangedoras e sexistas. Apenas a personagem da Nina Dobrev consegue ser um alívio cômico descente. E o Rory McCann tem uma cena bastante engraçada no fim do filme, no mais nada de interessante.

xXx: Return of Xander Cage
As atuações são comprometidas pelo roteiro, mas os atores também não pareceram se esforçar muito nas interpretações. Vin Diesel está sem o “time” cômico que ele provou ter em Operação Babá (2005), mesmo dentro do contexto de família e grupo, sua atuação não funciona. Donnie Yen é ótimo na ação corpo-a-corpo, seria muito legal vê-lo fazer mais cenas de luta dentro do filme. A mocinha do grupo, Deepika Padukone não consegue engajar o espectador no romance, falta um pouco de sensualidade, mas também é uma boa atriz em cenas de ação. Samuel L. Jackson deveria fazer menos filmes, já que cada vez mais ele transparece se importar menos com o nível de sua atuação. Por fim, temos Toni Collete que está visivelmente constrangida com as falas e rumos que o roteiro cria para a sua personagem.
“xXx – Reativado” é um filme para quem gosta de uma ação sem limites e sem explicação, são perseguições, tiros, saltos, socos, mortes, cenas absurdas e tudo que um filme do gênero pede. Porém um roteiro extremamente fraco que nem a direção do D.J. Caruso, muito competente na ação de lutas, consegue salvar. É um filme que não tem pretensões maiores do que ganhar dinheiro, e isso o torna constrangedor no seu início, mas com um 3° ato muito melhor que os demais a impressão que saímos do cinema é até que positiva, mas nada apaga a falhas gravíssimas que o filme tem.

 

NOTA: 4,1 

Lançamento: 19 de Janeiro de 2017
Gênero: Ação
Diretor: D.J. Caruso
Roteiro: F.Scott Frazier

Distribuidora: Paramount Pictures

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“Lady Bird – É hora de voar” Crítica

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Conhecido também como “o típico filme sobre a adolescência de uma americana” que concorre ao Oscar, Lady Bird – Hora de voar, é um longa que fala, sobretudo, de amadurecimento.

Bem dividido em três atos, o filme nos apresenta “Lady Bird”, uma menina de cabelos cor-de-rosa e cheia de personalidade. Logo nos primeiros minutos, nos é provado, de um modo até bastante drástico, aonde ela pode chegar com seus impulsos e atitudes intensas.

No primeiro ato, vemos a personagem em seu cotidiano. Nada muito diferente da habitual vida de uma adolescente classe média dos Estados Unidos. Porém, é nesse primeiro ato que conhecemos, aos poucos, todas as repressões e toda a angústia recolhida na menina. Obrigada a ir para uma escola católica, Lady Bird busca, em todos os seus gestos, desregrar o universo a sua volta – seja fazendo uma escandalosa apresentação no teste para uma peça teatral ou pregando um trote em uma das autoridades da instituição.

E assim, o filme é costurado com sequências rápidas e com um ritmo que nos deixa, por vezes, ofegantes. Tudo acontece de um modo muito intenso – compactuando com o psicológico da personagem – e vivo. Porém, é possível notar que todas essas cores escondem situações difíceis: um pai depressivo, problemas financeiros e, como é muito bem enfatizado pela narrativa – uma delicada relação materna.

“Você gosta de mim?” nossa personagem pergunta à sua mãe. Diálogos profundos aqui não faltam. “Você não acha que amor e atenção são a mesma coisa?”.

Conforme o tempo vai decorrendo, vemos o primeiro ato se fechar, e os núcleos de problemas vão se multiplicando e costurando, aos poucos, o que podemos chamar de as experiências que tornarão Lady Bird uma pessoa mais amadurecida. Entretanto, é longe de ser o objetivo do filme traçar uma jornada do herói bem formatada e redonda. Ela ainda está em construção. O que são mostrados aqui são apenas alguns passos da jornada de uma vida – com seus desejos, erros, conflitos e perdão, seja em relações familiares, amorosas ou de amizade.

Tecnicamente, o filme possuí um visual muito bonito. As paletas de cor são, geralmente, compostas de tons vivos e fortes, como vermelho sangue, azul esmeralda e rosa. Os planos são registrados de ângulos curiosos, e a fotografia parece querer quebrar com regras de composição geralmente observadas em, por exemplo, filmes de massa, como que com o objetivo de – inconscientemente – quebrar uma noção de plano.

A trilha sonora também é muito boa: são observadas músicas da época, além de ritmos que ajudam a compor a atmosfera de cenas em específico, tudo sem exageros. Além da montagem, que tem como característica central sua rapidez e dinamicidade, que ajuda a criar um filme tecnicamente singular e de suma importância.

Assim, Lady Bird se mostra um dos melhores candidatos à estatueta, não só pela sua construção técnica original, mas, sobretudo, por uma trama humana, dotada de atuações fortes e uma rede de temas trabalhados de uma maneira fluída e leve que, no final das contas, formam uma costura complexa e envolvente sobre o amadurecer.

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Cinema

Crítica: Eu, Tonya

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Aqui temos um filme que conta a história de uma competidora de patinação de gelo artística, que vê sua carreira decair, tendo um dia o título de melhor patinadora dos Estados Unidos para um envolvimento criminal e escândalo na mídia.

De cara, temos duas atuações poderosas em questão. Na pele de Tonya Harding, nossa polêmica personagem principal, temos Margot Robbie, brilhantemente transmitindo toda a raiva, frustação, desejo, tristeza e fúria presentes e contidos na patinadora. Interpretando sua agressiva mãe, Allison Janney também consegue, em cada gesto, direcionar nossas emoções para um sentimento de repulsa por sua personagem.

Sustentando-se com base nessas fortes interpretações, o longa costura sua narrativa paralelamente entre cenas em que a história está de fato acontecendo e gravações, em um tom documental, de diversas personagens que participaram da trama, anos após, dando depoimentos e opinando sobre aquilo tudo. Dessa forma, nós já somos induzidos a pensar de tal forma, adotar uma versão da história. Porém, quanto mais cenas do “presente” são rodadas, mas o público é cativado a interpretar os acontecimentos de sua maneira. De início, esse artifício de revezamento entre tipos de narração é fluído. Entretanto, com o passar do tempo isso se torna um pouco maçante, considerando que em alguns casos o ritmo dos fatos e a sucessão de ações são quebrados por uma fala ou outra dos personagens. Assim os planos da narrativa em si nos que engajam a acompanhar cada respiração de Tonya em sua jornada, da mesma forma que os depoimentos nos ajudam a ter uma percepção diferente e resgata detalhes e reflexões da história. Também existem quebras da quarta parede (onde o personagem olha diretamente para tela) que a ajudam a dinamizar o filme.

Apesar dessa dificuldade na progressão e montagem, Eu, Tonya é, sem dúvida, um dos melhores filmes do ano. Além das atuações verdadeiras e fortes, o uso da câmera, iluminação, maquiagem (a direção de arte é incrivelmente trabalhada, reconstruindo toda uma época, e ajudando a transmitir as emoções ali repassadas, como em um momento específico em que Tonya se vê em uma situação difícil e pesada: a maquiagem acompanha essa atmosfera, com tons escuros e pouca suavidade).

 

O roteiro é forte, e apresenta cenas surpreendentes e que prendem a atenção. Todo o drama vivido por Tonya é sentido, representado e desenvolvido de forma consistente, fazendo-nos torcer cada vez mais para que tudo dê certo. O nível de envolvimento das atrizes com as personagens nos faz perceber como até o tom de voz é calculado para transmitir certa ideia: a ideia de um patriotismo pessimista acerca de si mesmo. Sendo uma mulher que não corresponde as expectativas impostas sobre sua atuação de patinadora artística, o filme também aborda o imenso machismo (tanto na patinação em si quanto nas relações interpessoais de Tonya, principalmente com seu ex-marido) e intenções por trás daquilo que, numa primeira camada, é apenas um esporte.

Dotado de qualidades técnicas incríveis, atuações incontestáveis, um roteiro forte e algumas falhas narrativas, Eu, Tonya deve ser considerado um filme obrigatório para aqueles que se dizem apreciadores da sétima arte ou para qualquer um que deseje explorar o universo dos esportes e da mídia de uma perspectiva mais profunda e real.

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A forma da água: Líder em indicações ao Oscar – Crítica

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Liderando com 13 indicações para o Oscar, “A Forma da água”, dirigido Guillermo Del Toro, diretor aclamado por filmes como  “O labirinto do Fauno” e “ A Colina Escarlate”, conta a história de uma zeladora muda, que trabalha para um laboratório secreto de experimentos em Baltimore, e que se apaixonada por uma criatura trazida das águas amazônicas.

O enredo do filme é dotado de uma fantasia já tradicional do diretor – a presença de estranhas criaturas e como elas se relacionam com o mundo. Aqui, porém, temos uma qualidade técnica de última geração, em que cenas debaixo d’água (que pincelam o filme em momentos cativantes, como a aproximação de Elisa, nossa protagonista, com a criatura) dão um visual inovador e admirável ao longa.

Além dais tais cenas subaquáticas, é preciso ressaltar o incrível trabalho de design de produção da equipe, pois aqui a reconstrução dos anos 60 é delicada e certeira. O filme é dotado de cenários detalhados e carinhosamente pensados, como uma lanchonete cheia de tortas caprichadas e chamativas e um belo cinema com suas cortinas de veludo vermelhos. Além disso, existem objetos cenográficos que remetem muito bem à época, como ônibus e roupas, além do cabelo e maquiagem meticulosamente montados (as indicações às categorias de melhor figurino e direção de arte aqui são merecidíssimas).

Ainda falando da parte estética, “A forma da água” é banhada por uma paleta de cores frias muito agradável aos olhos, com seus tons verde-azulados, que combinados com a fotografia precisa criam um ambiente de mistério e sedução, uma improvável combinação que acontece ao longo de todo o filme. A criatura é, sem dúvida, o maior destaque aqui, tanto como um objeto cenográfico muito bem maquiado, como um personagem, por meio de seus movimentos e presença. A relação com Elisa é um dos grandes fatores que tornam o filme uma obra que vale seu tempo de assistir: dois seres que se conectam por motivos de deslocamento, solidão e marginalidade perante à sociedade.

A montagem do filme se mostra suave, e a transição entre planos acontece de uma maneira muito prazerosa de se acompanhar: sem muitos “cortes crus” e quebras de cor.

Falando do roteiro, não há nenhuma história imperdível e imprevisível aqui. Sim, o tema é diferente, a atuação de Sally Hawkins é sólida e bem executada, através de suas expressões e gestos, porém o enredo não dá muitas reviravoltas e não se mostra explorador de muitas facetas – sim, existem alguns subtemas aqui, como o racismo e o patriotismo desmensurado, mas nada que seja explorado por muito tempo em tela.

“A forma da água” se mostra, assim, uma produção digna visualmente, que merece ser aclamada por sua construção estética, mas com uma narrativa um pouco fraca no sentido de nos contar uma história com a intensidade de prender-nos em seus atos, almejar pelo momento seguinte e causar espanto em um desfecho.

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