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Cinema

Mulher Maravilha: O melhor filme do Universo DC (sem trilogia Nolan)

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A DC/Warner começaram seu novo universo lá por meados de 2013, com o lançamento de Homem de Aço, colocando como responsável pelo comando do Universo Cinematográfico, Zack Snyder. Que ainda dirigiria Batman vs. Superman – A origem da Justiça (2016) e trabalharia em grande parte da produção de Liga da Justiça (2017) (Snyder abandonou o projeto por problemas particulares). Ainda tivemos nesse meio do caminho, o duvidoso Esquadrão Suicida (2016), dirigido pelo David Ayer. Dessa vez a direção do longa não poderia estar, se não nas mãos de uma mulher. Petty Jenkins é a responsável por conduzir o projeto do primeiro filme, recente,  protagonizado por uma super-heroína. Chegou a vez de Mulher Maravilha.

É sempre válido ressaltar que analiso o filme COMO UM FILME, e não a sua fidedignidade com seu material fonte. Então vamos lá.

O filme se passa logo após Batman vs. Superman. Oi? Mas como assim? Sim, o filme é um grande flashback que se inicia e termina no mesmo local. Porém isso em momento algum é prejudicial, apenas foi a forma que a diretora encontrou em fazer um filme coeso, mas sem correr risco de mexer na linha cronológica, já que se trata de um filme de origem, de uma personagem já apresentada nesse universo.

Como já citado. O filme irá nos mostrar a história de origem da Mulher Maravilha (Gal Gadot), desde sua infância e toda sua trajetória até se tornar de fato a super-heroína que tanto conhecemos. O fato do roteiro iniciar a apresentação da personagem pela infância é primordial para a aproximação afetiva do expectador com o filme, somos logo de início encantados pela doçura e fofura da pequenina princesa das Amazonas.

O filme acelera um pouco mais e já temos Diana, a Mulher Maravilha, na fase adulta. Enfrentando seus treinamentos para se tornar a melhor guerreira possível, mas ainda sem entender o seu real lugar dentro do mundo. E esse é um dos melhores fatores do início. A ingenuidade dela é também a nossa, estamos descobrindo as facetas da personagem a partir do momento em que ela mesma vai se descobrindo. Mais uma vez o filme nos faz gostarmos dela, em pouco mais de 30 minutos de filme já temos Mulher Maravilha como uma de nossas personagens predileta do ano.

A história ganha motivação narrativa, a partir do momento em que o piloto britânico Steve Trevor (Chris Pine) sofre um acidente e é salvo por Diana. Com isso a princesa descobre que o mundo está em guerra e decide fazer algo para trazer a paz de volta. E é a ingenuidade recentemente apresentada que faz com que a nossa protagonista faça questionamentos sobre a forma de como essa sociedade (do início dos anos 20) se comporta e se organiza perante a guerra. Sobre esse contexto é que temos a melhor parte do roteiro. São pequenas frases, onde algumas sacadas são bem feitas, onde temos a imposição da figura de Diana como uma mulher forte, firme e determinada, entretanto, o roteiro também peca no excesso de piadinhas comportamentais, que soam muito forçadas. Há também uma pequena referência a série de TV de nome homônimo, protagonizada pela Lynda Carter na década de 70.

O 2° ato do filme é consideravelmente o pior. O romance, obvio de Trevor e Diana é acelerado. Apesar de juntos os dois terem química, é dado a eles pouco tempo de tela para desenvolver uma atração tão repentina, talvez se tivessem surpreendido e deixado a relação deles apenas no campo da amizade, conseguiriam fazer algo mais forte e bonito. Ao mesmo tempo que a própria direção vai se tornando repetitiva usando técnicas muitos semelhantes às usadas no primeiro ato, cansando até o expectador mais desatento. Mas nem tudo são trevas. Os alívios cômicos aqui introduzidos são todos bem explorados, dando sutileza a um ar mais sério que estava se formando.

Para compensar, o 3° ato é a melhor coisa que DC fez no Cinema desde 2013. O engajamento emocional ganha corpo, já estamos completamente imergidos na história. A ação fica dinâmica, o roteiro apesar de uma escolha clichê para a resolução do problema, é bem desenvolvido. A batalha final é bastante convincente e o empoderamento de Diana como Mulher Maravilha está completo, o que nos dá uma sensação de recompensa, já que era isso que esperávamos do filme.

Tecnicamente o filme não é perfeito. O CGI em alguns momentos deixa a desejar, a na hora de saltos e corridas, me lembram bastante Power Rangers (2017), e isso não é bom. A direção da Petty Jenkins dá ritmo, elegância e suavidade necessária para que nada se torne cansativo e nem pesado demais, o filme consegue dosar o sombrio e realista sem ser chato. Visualmente o filme é belíssimo. A fotografia usa bastante tomadas abertas para enaltecer a beleza da ilha de Temiscira, local onde vivem as Amazonas, e também para reforçar o caráter gigantesco de Guerra.

As atuações são pouco necessárias para a história, o roteiro consegue ser bom, sem depender das atuações. A Gal Gadot, mesmo não sendo um exemplo de boa atriz, consegue conduzir bem o filme, ela é bastante enérgica na ação e carismática, apesar de não entregar dramaticamente o pedido pelo roteiro, ela não atrapalha o filme. Já Chris Pine está ótimo. Ele tem senso de humor, é galanteador, mas ao mesmo tempo um pouco perdido, consegue elevar consideravelmente o nível de seu personagem. Completam as boas atuações do elenco, Connie Nielsen, como uma brava e forte Rainha Hipólita, Robin Wright, como Antiope, a tia guerreira de Diana e Lucy Davis, como a secretária/alívio cômico Etta Candy. Além do ator que faz o Ares, vilão do filme, que não será mencionado para não dar Spoiler.

A ação do filme é outra coisa que irá empolgar qualquer um que ir aos cinemas. O roteiro/direção aproveitam todas as possiblidades que as personagens possuem. Temos cenas com espadas, arcos e flechas, facas, escudos, cenas de luta corpo-a-corpo, a distância e também usando os Super poderes da nossa heroína. Até mesmo os braceletes e a corda, itens icônicos do uniforme, tem sua funcionalidade aplicada.

Não se trata de um filme puramente feminista. Não foi feito pensando em apenas agradar esse público. Há claro, vários momentos onde o empoderamento feminino é feito, não com alguma segunda intenção, mas sim por que esse empoderamento faz parte do cerne da personagem. Uma mulher forte, determinada, poderosa e participativa em peno início do Século XX.

Mulher Maravilha é sem sombra de dúvidas o melhor filme do atual Universo Cinematográfico da DC Comics. Mesmo não sendo perfeito, o filme consegue aliviar os corações dos fãs com maiores expectativas e também calar a boca dos que estavam prontos para críticas.

 

NOTA: 7,7

 

Nome Original: Wonder Women
Lançamento: 1° de Junho de 2017
Direção: Petty Jenkins
Roteiro: Geoff Johns / Allan Heinberg
Gênero: Ação / Super-heroi
Distribuidora: Warner Bros.

Cinema

Confira o Teaser de “Vidro”, novo filme do Shyamalan

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O novo longa do diretor estreia nos cinemas do Brasil em janeiro de 2019

O diretor M. Night Shyamalan une a narrativa de duas de suas histórias originais: “Corpo Fechado” (2000), da  e “Fragmentado” (2016), em um explosivo e novo thriller: “Vidro”.

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De “Corpo Fechado”, Bruce Willis retorna como David Dunn e Samuel L. Jackson como Elijah Price, também conhecido por seu pseudônimo: Mr. Glass. James McAvoy , que reinterpreta seu papel como Kevin Wendell Crumb e as múltiplas identidades que residem nele, e Anya Taylor-Joy como Casey Cooke, a única prisioneira que sobreviveu a um encontro com a Besta.

Após a conclusão de “Fragmentado”, “Vidro” encontra Dunn perseguindo a figura sobre-humana Besta em uma série de encontros cada vez mais intensos, enquanto a presença sombria de Price emerge como um articulador escondendo segredos fundamentais para ambos personagens.

Completando o elenco, Spencer Treat Clark e Charlayne Woodard de “Corpo Fechado”, que retomam seus papéis do filho de Dunn e mãe de Price, assim como a vencedora de um Globo de Ouro Sarah Paulson (da série “American Horror Story”).

Essa fascinante culminância de filmes que são hits mundiais são produzidos por Shyamalan e Jason Blum da Blumhouse Production, que também produziu os dois primeiros filmes do autor e diretor para a Universal. Novamente, Ashwin Rajan e Marc Bienstock também se juntam como produtores, e Steven Schneider é o produtor executivo.

Uma produção de Blinding Edge Pictures e Blumhouse, “Vidro” será lançado internacionalmente pela Buena Vista International.

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“Lady Bird – É hora de voar” Crítica

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Conhecido também como “o típico filme sobre a adolescência de uma americana” que concorre ao Oscar, Lady Bird – Hora de voar, é um longa que fala, sobretudo, de amadurecimento.

Bem dividido em três atos, o filme nos apresenta “Lady Bird”, uma menina de cabelos cor-de-rosa e cheia de personalidade. Logo nos primeiros minutos, nos é provado, de um modo até bastante drástico, aonde ela pode chegar com seus impulsos e atitudes intensas.

No primeiro ato, vemos a personagem em seu cotidiano. Nada muito diferente da habitual vida de uma adolescente classe média dos Estados Unidos. Porém, é nesse primeiro ato que conhecemos, aos poucos, todas as repressões e toda a angústia recolhida na menina. Obrigada a ir para uma escola católica, Lady Bird busca, em todos os seus gestos, desregrar o universo a sua volta – seja fazendo uma escandalosa apresentação no teste para uma peça teatral ou pregando um trote em uma das autoridades da instituição.

E assim, o filme é costurado com sequências rápidas e com um ritmo que nos deixa, por vezes, ofegantes. Tudo acontece de um modo muito intenso – compactuando com o psicológico da personagem – e vivo. Porém, é possível notar que todas essas cores escondem situações difíceis: um pai depressivo, problemas financeiros e, como é muito bem enfatizado pela narrativa – uma delicada relação materna.

“Você gosta de mim?” nossa personagem pergunta à sua mãe. Diálogos profundos aqui não faltam. “Você não acha que amor e atenção são a mesma coisa?”.

Conforme o tempo vai decorrendo, vemos o primeiro ato se fechar, e os núcleos de problemas vão se multiplicando e costurando, aos poucos, o que podemos chamar de as experiências que tornarão Lady Bird uma pessoa mais amadurecida. Entretanto, é longe de ser o objetivo do filme traçar uma jornada do herói bem formatada e redonda. Ela ainda está em construção. O que são mostrados aqui são apenas alguns passos da jornada de uma vida – com seus desejos, erros, conflitos e perdão, seja em relações familiares, amorosas ou de amizade.

Tecnicamente, o filme possuí um visual muito bonito. As paletas de cor são, geralmente, compostas de tons vivos e fortes, como vermelho sangue, azul esmeralda e rosa. Os planos são registrados de ângulos curiosos, e a fotografia parece querer quebrar com regras de composição geralmente observadas em, por exemplo, filmes de massa, como que com o objetivo de – inconscientemente – quebrar uma noção de plano.

A trilha sonora também é muito boa: são observadas músicas da época, além de ritmos que ajudam a compor a atmosfera de cenas em específico, tudo sem exageros. Além da montagem, que tem como característica central sua rapidez e dinamicidade, que ajuda a criar um filme tecnicamente singular e de suma importância.

Assim, Lady Bird se mostra um dos melhores candidatos à estatueta, não só pela sua construção técnica original, mas, sobretudo, por uma trama humana, dotada de atuações fortes e uma rede de temas trabalhados de uma maneira fluída e leve que, no final das contas, formam uma costura complexa e envolvente sobre o amadurecer.

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Crítica: Eu, Tonya

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Aqui temos um filme que conta a história de uma competidora de patinação de gelo artística, que vê sua carreira decair, tendo um dia o título de melhor patinadora dos Estados Unidos para um envolvimento criminal e escândalo na mídia.

De cara, temos duas atuações poderosas em questão. Na pele de Tonya Harding, nossa polêmica personagem principal, temos Margot Robbie, brilhantemente transmitindo toda a raiva, frustação, desejo, tristeza e fúria presentes e contidos na patinadora. Interpretando sua agressiva mãe, Allison Janney também consegue, em cada gesto, direcionar nossas emoções para um sentimento de repulsa por sua personagem.

Sustentando-se com base nessas fortes interpretações, o longa costura sua narrativa paralelamente entre cenas em que a história está de fato acontecendo e gravações, em um tom documental, de diversas personagens que participaram da trama, anos após, dando depoimentos e opinando sobre aquilo tudo. Dessa forma, nós já somos induzidos a pensar de tal forma, adotar uma versão da história. Porém, quanto mais cenas do “presente” são rodadas, mas o público é cativado a interpretar os acontecimentos de sua maneira. De início, esse artifício de revezamento entre tipos de narração é fluído. Entretanto, com o passar do tempo isso se torna um pouco maçante, considerando que em alguns casos o ritmo dos fatos e a sucessão de ações são quebrados por uma fala ou outra dos personagens. Assim os planos da narrativa em si nos que engajam a acompanhar cada respiração de Tonya em sua jornada, da mesma forma que os depoimentos nos ajudam a ter uma percepção diferente e resgata detalhes e reflexões da história. Também existem quebras da quarta parede (onde o personagem olha diretamente para tela) que a ajudam a dinamizar o filme.

Apesar dessa dificuldade na progressão e montagem, Eu, Tonya é, sem dúvida, um dos melhores filmes do ano. Além das atuações verdadeiras e fortes, o uso da câmera, iluminação, maquiagem (a direção de arte é incrivelmente trabalhada, reconstruindo toda uma época, e ajudando a transmitir as emoções ali repassadas, como em um momento específico em que Tonya se vê em uma situação difícil e pesada: a maquiagem acompanha essa atmosfera, com tons escuros e pouca suavidade).

 

O roteiro é forte, e apresenta cenas surpreendentes e que prendem a atenção. Todo o drama vivido por Tonya é sentido, representado e desenvolvido de forma consistente, fazendo-nos torcer cada vez mais para que tudo dê certo. O nível de envolvimento das atrizes com as personagens nos faz perceber como até o tom de voz é calculado para transmitir certa ideia: a ideia de um patriotismo pessimista acerca de si mesmo. Sendo uma mulher que não corresponde as expectativas impostas sobre sua atuação de patinadora artística, o filme também aborda o imenso machismo (tanto na patinação em si quanto nas relações interpessoais de Tonya, principalmente com seu ex-marido) e intenções por trás daquilo que, numa primeira camada, é apenas um esporte.

Dotado de qualidades técnicas incríveis, atuações incontestáveis, um roteiro forte e algumas falhas narrativas, Eu, Tonya deve ser considerado um filme obrigatório para aqueles que se dizem apreciadores da sétima arte ou para qualquer um que deseje explorar o universo dos esportes e da mídia de uma perspectiva mais profunda e real.

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