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Cinema

Crítica Dupla: O Círculo

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A crítica a seguir é feita em parceria das redatoras Anna Castro (parágrafos em negrito) e Livia Corcino (parágrafos em letra normal). A ideia desse novo formato é poder ampliar as percepções do filme e melhor aproveitá-lo.

Adaptação de livro de mesmo nome, “O Círculo” chega aos cinemas para envolver o público não só fã de literatura, mas também os fãs de tecnologia e conspirações. Com uma temática bastante atual, o filme promete uma imersão na cultura digital, que vai te fazer olhar o mundo de outra forma.

“O Círculo” conta a história da jovem Mae Holland (Emma Watson), uma mulher sem muita perspectiva de vida profissional, que vê tudo mudar ao ser contratada pela importante empresa de tecnologia O Círculo. Entre os principais motivos que podem atrair o público está o casting afiado com Tom Hanks, Emma Watson e Ellar Croltane.

O enredo começa suave, nos mostrando, como é de costume, como tudo estava antes do baque que dará o conteúdo para o resto de seu tempo. A contratação de Mae nos é apresentada como apenas um upgrade em sua vida de trabalho, mas logo esse fato começa a se tornar mais complexo e problemático do que se é esperado. No início, Mae se mostra fiel à sua filosofia de vida, uma filosofia que presa pela discrição e pela simplicidade. Mas em certo do ponto da história, alguns eventos fazem com que a protagonista adquira certos comportamentos que não lhe são característicos. É mundano que o contratado se molde nos padrões de sua empresa, porém o que vemos aqui é algo que vai além de comportamentos que envolvam a vida profissional da mulher.

Enquanto tudo isso ocorre, a trama explora alguns polos paralelos, todavia tais pontos da história – a família, as amizades novas e antigas – não são o foco. Parecem ser meramente “escapes” propositais no roteiro, para buscar uma diversificação de planos e uma construção multilateral necessária para o que nos viria a acontecer com essa história. Ou seja, vários pilares são gentilmente apresentados para o público, que se vê em um processo de envolvência com Mae e sua vida, justamente para podermos sentir na pele o que está por vir.

A sensação é realmente semelhante àquela de quando se lê um livro contado do ponto de vista do protagonista. Você perde pedaços da história, porque está acompanhando apenas pelo olhar do personagem. Isso não é muito comum no cinema, mas é pertinente perante a imersão da personagem no círculo. Porém, essa falta de desenvolvimento em tela torna alguns pontos da história muito sem propósito e desnecessários de serem inseridos no filme.  

Em alguns aspectos, o longa lembra, e muito, a famosa série Black Mirror, disponível no serviço de streaming da Netflix. Isso pode causar um certo sentimento de familiaridade que ajuda na construção do envolvimento pela trama, que, como já citei, é construída através de pilares não muito desenvolvidos. Dessa maneira, o filme também se apóia em uma linguagem simples e fácil de acompanhar: a imagem é limpa em sua maioria, representando uma atmosfera de “tudo está sob controle” quando a ideia é de ser representada essa sensação, a profundidade de campo (ou seja, o foco entre os personagens e a parte cenográfica) é delicada no sentido de ressaltar justamente o que é preciso para se entender o que acontece em cada momento. Além disso, os movimentos de câmera são suaves e maioria dos cortes certeiros.

O único ponto que incomoda esteticamente no filme é o cenário de sala de arquivamento da nuvem, claramente feito em computação. De resto, o mais interessante foi uso das mensagens digitais espelhados em tela, não só nos cantos desta, mas por todos os espaços da mesma, que foi muito bem utilizado nesse filme para proporcionar a ideia de imersão nesse mundo digital.

As atuações são, em geral, satisfatórias, com Emma Watson abarcando bem o seu papel (talvez com um pouco mais de garra em determinados momentos a atuação subisse de nível) e Ellar Coltrane, também conhecido como o menino de boyhood, se mostra como uma boa escolha para representar sua personagem. Tom Hanks também é satisfatório em sua performance, trazendo uma pitada de bom humor e, ao mesmo tempo, um ar de superioridade intelectual em seus projetos.

Como o filme é centrado em sua protagonista, muitos personagens e atores acabaram sendo mal utilizados. É o caso de John Boyega, o Finn de Star Wars. Seu personagem é um dos mais importantes da trama, porém a falta de desenvolvimento quase faz com que ele seja esquecido.

Entretanto, o filme cai, e muito, no seu desfecho, na sua conclusão, que ao meu ver, não consegue abarcar e solucionar tudo o que foi proposto. A sensação é de que o filme quis carregar mais do que era capaz de lidar e resolver no final, o que pode ser frustrante para um público mais atento e exigente.

Apesar do filme se desenvolver, como em um livro, sob o olhar de Mae, diferente de como é feito nos livros, o espectador não tem acesso aos pensamentos da personagem, não há uma narração em off esclarecendo suas ações e pensamentos. Dessa forma, a solução final para o problema desenvolvido, que parte de um princípio (“exposição é segurança”) apresentado, mais de uma vez, pela personagem durante o filme, acaba soando contrário ao que foi desenvolvido em tela e causa confusão no público.

Visto tudo isso, O Círculo é um filme leve, que em sua maioria é fácil de digerir (salvo alguns momentos de repetição de ideias e leve monotonia que aparecem no trecho do meio para o final). É também composto de boas atuações e uma construção de enredo coerente, porém que é muito sucateada em sua reta final, podendo deixar, assim, uma sensação de “perdi alguma coisa?” para certa parte do público.

Nota: 6,5

Nota: 7,5

 

Nome Original: The Circle
Lançamento: 22 de Junho de 2017
Direção: James Ponsoldt
Roteiro: James Ponsoldt, Dave Eggers
Gênero: Suspense, drama
Distribuidora: EuropaCorp

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2 Comments

2 Comments

  1. Dayse Ribeiro

    21/06/2017 at 15:55

    Adorei meninas ! Quero mais críticas duplas !

  2. Almir Cota

    07/07/2017 at 12:53

    Gostei muito da crítica em dupla.
    Aprovado!

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Cinema

DJ Amorim vive filho do comediante Paulo Mathias Jr em sua estreia no cinema

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O elenco de “Os Espetaculares” também conta com Rafael Portugal, Luísa Perissé e Victor Meyniel

O carioca DJ Amorim, de 13 anos faz sua estreia no cinema no filme “Os Espetaculares”, uma comédia com Rafael Portugal e Paulo Mathias Jr. O filme acompanha um grupo de comediantes que precisa ganhar um concurso e tenta se afirmar no mercado dos espetáculos, revelando os bastidores do stand-up. Na trama, Ed Lima (Paulo Mathias Jr.) é um egocêntrico comediante de stand up que tem uma amorosa relação com o filho de 12 anos (o estreante DJ Amorim). Em cena, tem ainda uma jovem nerd que conta “piadas intelectuais” (Luísa Perissé), e o divertido, mas lunático, atendente de uma padaria (Victor Meyniel). “Os Espetaculares” chegou ao streaming (Apple TV, Now, Google Play, Youtube, Vivo Play e Sky Play). DJ Amorim, nome artístico escolhido pelo menino Deivis Júnior estará na próxima novela das 6 da Rede Globo, “Nos Tempos do Imperador”, adiada por conta da pandemia da Covid-19. O menino, que também é dublador e dançarino, já soma diversos trabalhos na TV e no teatro. Em “Jesus” novela da TV Record viveu Simão Zelote e participou da produção “O Rico e Lárazo”, também da emissora. Além das séries “Renascidos”, “Impuros” e “Bom Dia, Verônica”, que tem previsão de estreia na Netflix em outubro. Um garoto tranquilo e dedicado ao que faz, DJ Amorim se diz muito apaixonado pela atuação e pela dança, onde se especializa em hip hop, ballet clássico e sapateado.
Assessoria: 12ML comunicação

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Cinema

Camila Curty protagoniza série internacional “La Llamada”

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Dentro de todos os projetos de quarentena estrelados, a atriz Camila Curty foi convidada para participar de uma série internacional com atores do mundo todo. “La Llamada”, do diretor mexicano Octavio Maya Rocha, narra a história de personagens ao redor do mundo, diretamente relacionados à pandemia do COVID-19. Todos os episódios foram gravados por chamada de vídeo e tratam de cenários e assuntos muito importantes.

Com atores do Japão, Rússia, Nova York, Bolívia, entre outros, Camila é quem representa o Brasil na série. Sua personagem Sophia Queiroz, é uma antropóloga brasileira que tenta fazer contato com o companheiro de trabalho para dar a notícia de que o outro companheiro de ambos havia morrido e que as comunidades indígenas do Amazonas estão infectadas.

O convite para interpretar Sophia surgiu e Camila aceitou prontamente. “Octavio Maya estava dando início ao projeto com atores de todo mundo e Claudia Eid, diretora boliviana e grande amiga, me indicou quando ele começou a procurar uma atriz que representasse o Brasil. Octavio entrou em contato comigo e eu adorei o projeto, é muito a minha cara. Topei na hora”, afirma Camila. A atriz ainda revela o quão especial é para ela ser a única representante brasileira no projeto. “É muito especial para mim estar em um projeto que eu acredito e me identifico tanto, podendo ser a voz do Brasil em uma série que se passa no mundo inteiro”, completa.

Camila protagoniza o episódio do qual participa, uma vez que os episódios são independentes uns dos outros. A abordagem do cenário brasileiro na trama, trata diretamente de assuntos políticos que assolam o país desde o início da pandemia, como a omissão do governo frente ao caos. Ao fim do episódio, é feita ainda uma relação entre a situação brasileira e boliviana, o que o torna ainda um divisor de águas para a série.

Pôster de “La Llamada”

Em uma série exibida em todo mundo, o texto que trás toda a indiferença que o povo brasileiro enfrenta, torna-se uma documentação do que está acontecendo em um momento que entrará para os livros de história futuros. Além de entretenimento, “La Llamada” ganha uma importância ainda maior.

“Como é uma série internacional e que abrange uma área tão grande (já que envolve vários países), falar sobre a situação atual do Brasil na pandemia, sobre a situação da Amazônia, é como registrar um documento histórico, já que é uma história totalmente baseada em fatos reais. Acredito no poder que a arte tem de comunicar, denunciar e abrir os olhos que estão fechados. Poder ser porta voz desse assunto, que mexe tanto comigo, é muito importante pra mim” relata Camila.

A série foi inteiramente gravada por meio de chamadas de vídeos com os atores de outras nacionalidades e dirigida por Octavio Maya. O modelo que tem sido muito utilizado em produções audiovisuais por todo o mundo durante o isolamento social. E, além do episódio interpretado por Camila, toda a série é repleta de simbologias e mitos, servindo também como denúncia para situações reais que estão acontecendo no mundo durante todo o período de pandemia.

Para Camila, a produção de “La Llamada” aconteceu estando diretamente em contato com Octavio. O diretor em chamada de vídeo no México com a atriz no Brasil, produziu todo o episódio, que foi gravado dentro da casa de Camila.

“Octavio e eu produzimos tudo por vídeo chamada, ele no México e eu no Brasil. Trocamos vários áudios, evoluímos para o vídeo e tudo aconteceu assim. O Octavio desenvolve um movimento no cinema chamado MetaCine, que é a reinterpretação do que você pode ver na realidade e ele é super ligado na tecnologia. Casou perfeitamente com a produção do projeto, já que o episódio foi gravado na minha casa mesmo, pelo meu celular”, conta Camila.

E sendo produção de caráter realístico dentro de uma trama muito bem construída e, acima de tudo, sendo o primeiro projeto internacional da atriz, “La Llamada” já conquistou um espaço especial na carreira de Camila.

“É a primeira vez que faço parte de um projeto internacional e é um projeto a minha cara. Me identifico muito enquanto artista com essa pegada realista, documental e política. É especial demais estar trabalhando em um projeto tão grande e com pessoas tão talentosas e generosas. E é ainda mais especial acreditar nesse projeto”, conclui.

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Cinema

Série “The Stripper” é exibida hoje no Fest Cine Pedra Azul

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E foi dada a largada para o Fest Cine Pedra Azul. Vivendo ainda a pandemia que afetou todo o país, o festival internacional de cinema precisou adaptar a programação para a versão digital, exibindo as mostras pelo site oficial. “The Stripper”, que conta com o ator Rodrigo Tardelli integrando o elenco, concorre ao festival e será exibido hoje Fest Cine Pedra Azul.

A trama foi indicada na categoria “Webséries” no festival internacional de cinema que decidiu abrir neste ano um espaço especial para as produções voltadas para internet. “The Stripper” concorre com mais oito produções. A série é da Ponto Ação Produções, produtora de conteúdo independente do ator em sociedade com as atrizes Priscilla Pugliese e Natalie Smith.

O ator ainda comenta sobre a expectativa para o festival. “As expectativas são as melhores. Demos toda nossa energia a The Stripper e agradeço muito ao Fest Cine Pedra Azul por ser o primeiro festival a abrir espaço para essa série”, afirma Tardelli.

Também ficou com vontade de assistir “The Stripper” no Fest Cine Pedra Azul? Basta clicar AQUI e preparar a pipoca. As exibições começam hoje, a partir das 20h!

Confira o trailer de “The Stripper” para já se preparar para a exibição:

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